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26 de maio de 2017

O adeus a Bruno...



Miguel Falabella escreveu um emocionante texto de despedida de Bruno, seu cachorrinho de estimação, na madrugada desta quinta-feira. Na homenagem, publicada no Instagram, o artista explica que o cão, já velhinho, teve um problema no coração. Ele ainda lembrou a rotina que compartilhou com o amigo e falou do amor por ele. 

Veja o texto completo:

"Bruno nos deixou. Seu pequeno coração não aguentou o peso dos anos. Sempre que eu me sentava para escrever, ele se deitava sereno a meus pés. Acho que nenhum de nós está preparado para as despedidas, ainda que saibamos que nossa relação com os cães é um amor com data marcada. Seus olhos sorriam quando eu entrava em casa. Vai deixar um imenso vazio em nossas vidas. Mas amou e foi amado. E isso é o que conta no fim da história. Boa noite"

O post de Falabella já tem, até esta publicação, mais de 20 mil curtidas e centenas de comentários. "Nossa, que dó! Eu imagino a dor que você está sentindo. Já passei por isso. É uma tristeza tão profunda que não tem explicação", publicou uma seguidora. "Sinto muito... também tenho uma filha, e não consigo imaginar a vida sem ela", escreveu outra.

O ator já tinha uma postado outros registros do cachorrinho:

9 de maio de 2017

Tanta fofurice chega a ser pecado!



        Olha elaaaa! Toda vaidosa, de lacinhos na cabeça, pronta para o passeio.

Paquita no colinho da mamãe.

Paquita e Pituxa



30 de setembro de 2016

Minhas amadas peludinhas!




PITUXA, minha eterna bebezinha...

                             Paquita e Pituxa, minhas peludinhas amadas!

                                                        PITUXINHA

PAQUITA


                             Minhas três princesas: Pink, Paquita e Pituxa...



3 de maio de 2016

Um cão apenas- Cecília Meireles



Subidos, de ânimo leve e descansado passo, os quarenta degraus do jardim – plantas em flor, de cada lado; borboletas incertas; salpicos de luz no granito eis-me no patamar. E a meus pés, no áspero capacho de coco, à frescura da cal do pórtico, um cãozinho triste interrompe o seu sono, levanta a cabeça e fita-me. É um triste cãozinho doente, com todo o corpo ferido; gastas, as mechas brancas do pêlo; o olhar dorido e profundo, com esse lustro de lágrima que há nos olhos das pessoas muito idosas.
Com um grande esforço, acaba de levantar-se. Eu não lhe digo nada; não faço nenhum gesto. Envergonha-me haver interrompido o seu sono. Se ele estava feliz ali, eu não devia ter chegado. Já que lhe faltavam tantas coisas, que ao menos dormisse: também os animais devem esquecer, enquanto dormem… Ele, porém, levantava-se e olhava-me. Levantava-se com a dificuldade dos enfermos graves, acomodando as patas da frente, o resto do corpo, sempre com os olhos em mim, como à espera de uma palavra ou de um gesto. Mas eu não o queria vexar nem oprimir.
Gostaria de ocupar-me dele: chamar alguém, pedir-lhe que o examinasse, que receitasse, encaminhá-lo para um tratamento… Mas tudo é longe, meu Deus, tudo é tão longe. E era preciso passar. E ele estava na minha frente, inábil, como envergonhado de se achar tão sujo e doente, com o envelhecido olhar numa espécie de súplica. 
Até o fim da vida guardarei seu olhar no meu coração. Até o fim da vida sentirei esta humana infelicidade de nem sempre poder socorrer, neste complexo mundo dos homens. Então, o triste cãozinho reuniu todas as suas forças, atravessou o patamar, sem nenhuma dúvida sobre o caminho, como se fosse um visitante habitual, e começou a descer as escadas e as suas rampas, com as plantas em flor de cada lado, as borboletas incertas, salpicos de luz no granito, até o limiar da entrada. Passou por entre as grades do portão, prosseguiu para o lado esquerdo, desapareceu.
Ele ia descendo como um velhinho andrajoso, esfarrapado, de cabeça baixa, sem firmeza e sem destino. Era, no entanto, uma forma de vida. Uma criatura deste mundo de criaturas inumeráveis. Esteve ao meu alcance, talvez tivesse fome e sede: e eu nada fiz por ele; amei-o, apenas, com uma caridade inútil, sem qualquer expressão concreta. Deixei-o partir, assim, humilhado, e tão digno, no entanto; como alguém que respeitosamente pede desculpas de ter ocupado um lugar que não era o seu.
Depois pensei que nós todos somos, um dia, esse cãozinho triste, à sombra de uma porta. E há o dono da casa e a escada que descemos, e a dignidade final da solidão.