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6 de julho de 2018

~Um cão apenas- Cecília Meireles


Subidos, de ânimo leve e descansado passo, os quarenta degraus do jardim – plantas em flor, de cada lado; borboletas incertas; salpicos de luz no granito eis-me no patamar. E a meus pés, no áspero capacho de coco, à frescura da cal do pórtico, um cãozinho triste interrompe o seu sono, levanta a cabeça e fita-me. É um triste cãozinho doente, com todo o corpo ferido; gastas, as mechas brancas do pêlo; o olhar dorido e profundo, com esse lustro de lágrima que há nos olhos das pessoas muito idosas.
Com um grande esforço, acaba de levantar-se. Eu não lhe digo nada; não faço nenhum gesto. Envergonha-me haver interrompido o seu sono. Se ele estava feliz ali, eu não devia ter chegado. Já que lhe faltavam tantas coisas, que ao menos dormisse: também os animais devem esquecer, enquanto dormem… Ele, porém, levantava-se e olhava-me. Levantava-se com a dificuldade dos enfermos graves, acomodando as patas da frente, o resto do corpo, sempre com os olhos em mim, como à espera de uma palavra ou de um gesto. Mas eu não o queria vexar nem oprimir.
Gostaria de ocupar-me dele: chamar alguém, pedir-lhe que o examinasse, que receitasse, encaminhá-lo para um tratamento… Mas tudo é longe, meu Deus, tudo é tão longe. E era preciso passar. E ele estava na minha frente, inábil, como envergonhado de se achar tão sujo e doente, com o envelhecido olhar numa espécie de súplica. 
Até o fim da vida guardarei seu olhar no meu coração. Até o fim da vida sentirei esta humana infelicidade de nem sempre poder socorrer, neste complexo mundo dos homens. Então, o triste cãozinho reuniu todas as suas forças, atravessou o patamar, sem nenhuma dúvida sobre o caminho, como se fosse um visitante habitual, e começou a descer as escadas e as suas rampas, com as plantas em flor de cada lado, as borboletas incertas, salpicos de luz no granito, até o limiar da entrada. Passou por entre as grades do portão, prosseguiu para o lado esquerdo, desapareceu.
Ele ia descendo como um velhinho andrajoso, esfarrapado, de cabeça baixa, sem firmeza e sem destino. Era, no entanto, uma forma de vida. Uma criatura deste mundo de criaturas inumeráveis. Esteve ao meu alcance, talvez tivesse fome e sede: e eu nada fiz por ele; amei-o, apenas, com uma caridade inútil, sem qualquer expressão concreta. Deixei-o partir, assim, humilhado, e tão digno, no entanto; como alguém que respeitosamente pede desculpas de ter ocupado um lugar que não era o seu.
Depois pensei que nós todos somos, um dia, esse cãozinho triste, à sombra de uma porta. E há o dono da casa e a escada que descemos, e a dignidade final da solidão.

Comentário

Cecília Meireles não foi apenas uma grande poeta, ela também foi magnífica em suas crônicas, todas escritas com extraordinária leveza, suave emoção e intensa poeticidade e, muitas vezes, confundidas com um conto. Vale lembrar que a crônica, nos dias atuais, possui uma forma de expressão bem particularizada, com características próprias que a tornam distinta e inconfundível com o conto. Este é pura ficção, a crônica não o é, sua gênese radica na realidade concreta. 
Ela goza de prestígio no panorama da literatura, notadamente no Brasil, onde muitos cronistas-escritores notabilizaram-se pela qualidade impar dos seus textos: Machado de Assis, Olavo Bilac, Humberto de Campos, Raquel de Queirós, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Rubens Braga, Paulo Mendes, Paulo Francis, Érico Veríssimo e tantos outros, integram a galeria dos grandes cronistas brasileiros. Todos cultivaram ou cultivam a crônica com assiduidade.
Eu amo as crônicas, especialmente por sua brevidade e por se reportarem a fatos do cotidiano, a alguma experiência do autor, a algo que ele captou nas ruas, nas pessoas, etc. Dentre ao autores de minha preferência, escolhi Cecília Meireles, autora de um dos textos que mais aprecio por sua poeticidade, pela sensibilidade como ela percebe a realidade que a rodeia e pela reflexão que faz acerca da relação entre humanos e animais: Um cão apenas. 

Um cão apenas descreve um encontro casual da autora com um pequeno cão sujo e doente que dormia à sombra de uma porta. Desse fato corriqueiro, a cronista faz um tocante relato acerca da miséria, do abandono e da solidão em que vive o animalzinho, vítima da indiferença das pessoas e da omissão dela própria, que nada fez para ajudá-lo, apesar do olhar de súplica que a pequena criatura lhe lançou. Consciente de sua omissão e já com o peso da culpa a pesar-lhe na consciência, ela diz: “Até o fim da vida guardarei seu olhar no meu coração. Até o fim da vida sentirei esta humana infelicidade de nem sempre poder socorrer, neste complexo mundo dos homens”.
Vale observar a elaboração do cenário em que se desenrola a história do encontro entre a autora e o pequeno cão, notadamente o subir e descer os quarenta degraus da escada da praça: “Subido, de ânimo leve e descançado passo, os quarenta degraus do jardim – plantas em flor, de cada lado; borboletas incertas; salpicos de luz no granito -, eis-me no patamar.” Este cenário primaveril é retomado no quarto parágrafo, significando que a ação de desenrola no mesmo cenário indiferente, alheio: os mesmos elementos do ambiente rodeiam a autora que sobe “de ânimo leve e descansado passo” e o triste cãozinho que desce “como um velhinho maltrapilho, cansado, de cabeça baixa, sem firmeza e sem destino”.
A mensagem da crônica ultrapassa a tragédia do pequeno cão, estendendo-se às muitas tragédias humanas de pessoas, inclusive crianças e velhos, que vivem no mesmo abandono, especialmente nas grandes cidades. Passamos por eles, apressados, com o olho no relógio, sempre com algo mais importante e mais urgente para fazer, por vezes até nos vem um impulso para socorrê-los, mas não o fazemos por vários motivos que damos a nós mesmos, para aliviar a consciência.
Em alguns casos, só mais tarde, volta-nos à memória a lembrança daquele ser humano deitado encolhido no canto da parede, pálido, trêmulo, visivelmente doente, faminto e desamparado. Podíamos tê-lo socorrido e não o fizemos, ninguém o fez, todos indiferentes e apressados, sem tempo “para perder” com um pobre mendigo anônimo.  Afinal, em nossa sociedade materialista, não se costuma olhar para quem não vale a pena. A maioria é omissa sem remorsos, com pessoas e com cães desvalidos.
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Por Z.C.M.C

Adote ou proteja um cão idoso de rua. Eles não falam, mas sofrem e sentem. Não os deixe passarem fome e sede. Defenda-os, não permita que os maltratem.

O espírito dos animais.

Queridos amigos,
Existe muita confusão nossa na interpretação da Doutrina Espírita. Os Espíritos nos dizem que nem todos os animais reencarnam imediatamente. Eles nos dizem que são “utilizados quase imediatamente”, e não, reencarnam imediatamente. Os animais mais evoluídos, e os que podem ter utilidade no Mundo dos Espíritos, podem ficar mais tempo. Pela Ciência e pela Doutrina Espírita, são à partir da aves.

Emmanuel nos diz a mesma coisa, indo de encontro as informações dos Espíritos e também nos tranquiliza em relação ao futuro deles, nos afirmando que eles nunca ficam sozinhos. A Bondade de Deus é infinita e não deixa a nenhum de seus filhos desamparados. Existem os Espíritos Zoófilos, que são aqueles que cuidam dos animais, que são tão bondosos que suas vibrações os envolvem em todo amor, dando bem estar e amparo a eles, como fazem conosco.

Claro que os nossos irmãozinhos não nos esquecem , mas não sofrem pela nossa ausência temporária. Devemos lembrar que podemos visitá-los durante o sono físico e eles podem nos visitar acompanhados desses amigos espirituais, como vemos relatos em várias literaturas espíritas como as do Chico Xavier, Marcel Benedeti entre outros . E assim como acontece conosco, no momento certo, programado pelos Espíritos, continuarão a sua evolução através das reencarnações, que pode ser aqui, conosco novamente, em outros mundos , ou em outras famílias.

Os animais fazem parte da nossa família espiritual, eles são nossos irmãos no corpo e no espírito, porque somo todos filhos de um mesmo Pai.



Foto ilustrativa: http://www.freeimages.com/

27 de maio de 2018

Troca de animais por objetos na internet



27 de Maio de 2018

Nas últimas semanas, os voluntários da ASPA tem batido na mesma tecla dentro do assunto proteção aos animais, no que diz respeito ao comércio dos mesmos nas redes sociais onde prints tirados pelos voluntários em grupos de brick na internet mostra a situação que uma pessoa tem um cão da raça São Bernardo e quer vender ele, por R$1.000, pois não tem mais tempo para cuidar. Além desta postagem, outra, uma pessoa diz ter um celular smartphone por um cachorro de raça grande ou pequena, de preferência Chow Chow.

Sempre valorizando a adoção ou mesmo gestos que não resultem na barganha de animais, a ASPA diz seguir na caça de ações como está que segundo eles, desrespeitam a vida, pois informam os voluntários algo que todos já devem ter conhecimento, “animais respiram, tem coração, sentimentos, frio, fome como qualquer ser vivo. Muito fácil fica chocado com histórias de animais atropelados, machucados… e ser conivente com ações como essa nas redes sociais.”.
Confira abaixo a postagem da ASPA em sua rede social

ANIMAIS SEMPRE SOFREM PELA GANÂNCIA DO SER HUMANO

Essa primeira postagem, de uma moça querendo trocar um celular por uma cadela de raça, foi feita no dia 07 de maio deste ano.

Não bastasse o absurdo de tratar os animais como meros objetos, hoje, dia 20 de maio, anuncia a venda de um de seus animais já adultos, alegando falta de tempo para cuidar.

Será que esse lindo menino já não dá mais lucro?

Vamos nos unir contra esses abusos.

ELES NÃO SÃO OBJETOS.

LUTEMOS PELA POSSE RESPONSÁVEL!

Por Ralph Quevedo

Falta de humanidade com os animais de rua.



Se maltratar animais é crime hediondo, é muita falta de humanidade permitir que animais abandonados fiquem largados à sua própria sorte, sem ter quem cuide de arranjar um lar para adotá-los. Infelizmente, por falta de apoio, o Programa Adote um Amigo teve que encerrar suas atividades. Veja o comunicado pelo canil:


28 de abril de 2018

Lindos, meigos e adoráveis!


É muito gratificante chegar em casa e sermos recebidos por nosso cãozinho, saltitante e cheio de alegria por estarmos de volta.


Quem resiste à ternurinha dessas duas princesas?


23 de abril de 2018

Eles não merecem sofrer maus tratos !








A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter. Quem é cruel com os animais, não pode ser uma boa pessoa. (by Pedro Bial)




Amo gatos pretos. Em pleno terceiro milênio é inadmissível que existam pessoas achando que gatos pretos dão azar. Isso é superstição medieval, nunca teve fundamento a não ser na ignorância de mentes atrasadas.
Se você não é capaz de amar, proteger e cuidar de um animalzinho, então não o pegue para criar e, depois, abandoná-lo nas ruas.  Eles não sabem pedir comida nem água, definham e têm uma morte cruel, sofrem agressões físicas sem entenderem porque e sem poderem se defender.


13 de abril de 2018

A origem da raça Shih-tzu...


Você sabia...
Que a origem da raça Shih Tzu surge de uma lenda bem antiga que conta com a história de um amor proibido entre uma princesa chinesa e um mongol (povo predominante no Tibete)?

Diante da impossibilidade de realizarem o casamento, resolveram cruzar um legítimo representante da China, o Piquenês, com um representante do Tibete, o Lhasa Apso.
Deste união originou-se o Shih Tzu, no qual o nome significa "cão leão que nunca desiste".
Talvez por isso que o "formatinho' do seu nariz, principalmente nos filhotes, faz grande menção ao formato de um coração
Os historiadores relatam que eles viviam em palácios, cercados de cuidados extremos. Mais tarde começaram a ocupar e fazer parte dos lares de famílias ricas chinesas e de algumas outras no Ocidente.

8 de janeiro de 2018

É APENAS UM CÃO...




Há não muito tempo, alguém me perguntou:
Você deixa de viajar por não ter com quem deixar sua cachorrinha?
Sorri, porque esse alguém apenas não entende o que é: - Apenas um cão -
De vez em quando escuto alguem dizer: "Para com isso! É apenas um cão!"
Ou então: "Mas é muito dinheiro para se gastar com ele... é apenas um cão!"
Estas pessoas não sabem do caminho percorrido, do tempo gasto ou dos custos que significam "apenas um cão".
Muitos de meus melhores momentos me foram trazidos por "apenas um cão". Por muitas vezes em minha vida, a minha única companhia era "apenas um cão".
Muitas de minhas tristezas foram amenizadas por "apenas um cão". E nos dias mais sombrios, o toque de "apenas um cão" me deu forças para seguir em frente.
E se você é daqueles que pensam que ele é "apenas um cão", você também deve entender as expressões "apenas um amigo", "apenas um sol", "apenas uma promessa" etc...
"Apenas um cão" deu a minha vida a verdadeira essência da amizade, da confiança e da felicidade.
"Apenas um cão" faz aflorar compaixão e a paciência , que fazem de mim, uma pessoa melhor.
Porque para mim e para pessoas como eu, não se trata de "apenas um cão", mas da incorporação de todos os sonhos e da esperança do futuro. Das lembranças afetuosas do passado; da pura felicidade do momento presente.
"Apenas um cão" faz brotar o que há de bom em mim e dissolve meus pensamentos e as preocupações do meu dia.
Eu espero que algum dia, as pessoas entendam que não é "apenas um cão", mas aquilo que me torna mais humano e permite que eu não seja "apenas um homem".
Então, da próxima vez em que você escutar a frase
"é apenas um cão", apenas sorria para essas pessoas porque elas apenas não entendem.